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Entrevistas / Paulo Cesar Martins
 
  Uma agenda de compromissos para superar a crise
Em entrevista à Macaé Offhore, presidente da ABESPetro falou sobre os principais desafios a serem enfrentados e como deu detalhes de como o governo pode atuar nesse sentido

Presidente da ABESPetro (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo)
ABESPetro
31/10/2015

Por Brunno Braga

Representando cerca de 50 empresas prestadoras de serviços para o segmento de óleo e gás no País, a ABESPetro (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo) tem como missão representar essas companhias colaborar com o desenvolvimento sustentável da indústria local. No início do mês de outubro, a instituição assinou, juntamente com outras entidades representantes do setor, como o IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), Abimaq (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos), Onip (Organização Nacional da Indústria do Petróleo), documento para estabelecer uma agenda de compromissos para serem levados ao governo para aprimorar regras, normas e políticas de apoio, objetivando superar a crise que atravessa o setor.

Paulo Cesar Martins é presidente da ABESPetro. Ele, que atualmente atua como diretor de marketing da Fugro no Brasil, falou sobre os principais desafios a serem enfrentados e como deu detalhes de como o governo pode atuar nesse sentido. Acompanhe, a seguir, os principais trechos da entrevista concedida à Macaé Offshore:

MACAÉ OFFSHORE - O ano de 2015 está sendo emblemático para a indústria de petróleo como um todo e, no Brasil, além da crise ocasionada pela queda nos preços, há também o fator político envolvendo escândalos de corrupção. O senhor acha que vivemos atualmente no pior dos mundos?

PAULO CESAR MARTINS - A indústria de O&G é uma indústria bastante dinâmica, já tendo passado por outros momentos de altos e baixos. O problema se torna maior no curto prazo, para nós aqui no Brasil, porque a crise mundial acontece, ao mesmo momento em que nosso principal e maior contratante, atravessa graves problemas de ?compliance? e de caixa. Além disso, para piorar ainda mais o nosso cenário, existe uma situação difícil de governança política no país, atrelada ainda a uma situação de economia absolutamente frágil. O mercado brasileiro é extremamente dependente da Petrobras, que detém algo como 90% de ?market share?. A falta de regularidade nos leilões da ANP, e as dificuldades encontradas, como por exemplo, com demora no licenciamento ambiental de blocos adquiridos, ainda dificultam mais o aumento de atividades por parte de outras operadoras.

 

M.O. - Como o senhor avalia o corte no volume de investimentos para este e para o próximo ano anunciado pela Petrobras?

P.C.M. - A recente revisão do Plano de Negócios 2015-2019 da Petrobras vai afetar diretamente toda a cadeia de suprimentos, que havia se preparado para uma demanda bastante maior, e em linha com planos anteriores. Esta situação se agrava ainda mais com a queda do preço do barril de óleo, obrigando várias operadoras a adiarem ou até suspenderem seus projetos.

 

M.O. - E é possível dimensionar os efeitos da mudança nos valores de investimentos da Petrobras para 2015 e 2016?

P.C.M. - Ainda é cedo para falarmos, visto que a Petrobras somente informou a redução dos volumes de investimentos para 2015 e 2016, sem maiores detalhamentos. Não sabemos, por exemplo, a distribuição destes cortes entre downstream e upstream; nem se os projetos serão adiados para depois de 2016, quando esperasse que a Petrobras já esteja em uma situação de caixa melhor, ou simplesmente cancelados. Naturalmente, toda e qualquer redução nos planos de investimento do nosso cliente maior, impacta diretamente a rede de fornecedores.

 

M.O. - Mas as empresas foram pegas de surpresa ou muitas se prepararam para enfrentar o quadro atual?

P.C.M. - Estamos tentando ainda nos adaptar a este novo cenário. Infelizmente, não há como atravessar este momento atual, sem frear os investimentos. Várias empresas ainda estão sendo obrigadas a demitir um número substancial de funcionários, para se adequar à nova situação de demanda. Sem falar em muitos centros de pesquisa, que foram significativamente esvaziados. Ajustar nossa capacidade à nova realidade de mercado já tem demandado uma série de desinvestimentos e desmobilização de recursos. É importante ressaltar todo o esforço feito nos últimos anos, no sentido de garantir uma capacitação local da indústria de O&G. A Petrobras teve um papel fundamental neste processo, através de vários programas, como, por exemplo, os PROCAP (Programa de Capacitação em Águas Profundas) 1000, 2000 e 3000, que acabaram desenvolvendo várias tecnologias e garantindo não só uma série de prêmios, mas supremacia mundial em exploração de águas profundas e ultra-profundas. Hoje temos um parque industrial, principalmente na área subsea, não encontrado em nenhum outro país. Temos duas plantas de fabricação de tubos rígidos, além de uma spoolbase, quatro fábricas de tubos flexíveis, três fábricas de umbilicais e quatro fábricas de equipamentos submarinos. Isto sem falar em estaleiros de construção, bases logísticas e fornecedores diversos de peças e máquinas, de um modo geral. Isto sem falar no Parque Tecnológico do Fundão, além de outros centros isolados de pesquisa e desenvolvimento implantados. Por isso, é preciso que as empresas busquem inovar, simplificar processos e reduzir custos, para ajudar a viabilizar novos projetos, naturalmente sem perder nossos níveis de qualidade e de segurança.

 

M.O. - E é possível vislumbrar oportunidades neste quadro de crise?

P.C.M. - Uma alternativa para sair da crise seria a busca por outros mercados, antes não considerados ou assumidos como de menor atratividade. Exportar produtos e serviços pode ajudar em muito. No passado recente, reclamávamos de termos ainda estrangeiros vindos para suportar nossas atividades. Hoje a situação é inversa, são brasileiros sendo transferidos para os mais diversos territórios do globo. Novamente, o desafio está em conseguirmos ajustar a capacidade mantendo nossa capacitação. Como em toda grande crise, junto temos as oportunidades. Isto virá através de inovações. Precisamos aprender a fazer mais com menos.

 

M.O. - Na sua opinião, independente do cenário atual de crise, quais são as dificuldades estruturais encontradas no setor de O&G no Brasil e como ABESPetro pode auxiliar para facilitar a vida das empresas que buscam investir no segmento?

P.C.M. - Acreditamos ser importante neste momento, uma profunda reflexão sobre o que deve e pode ser melhorado, citando alguns pontos abordados pela ABESPetro em sua Agenda Prioritária, e que devem ser tratados em alto nível pelo Governo e seus agentes reguladores, objetivando criarmos uma política industrial robusta. Em um mercado internacional e de grande competitividade, aonde os investimentos são direcionados para os projetos de menor risco e maior retorno, precisamos criar condições de maior segurança regulatória. Todos os agentes do mercado devem estar imbuídos de um objetivo comum de oferecer todos os meios possíveis para fomentar o maior desenvolvimento desta importante e estratégica indústria, trabalhando de forma alinhada e célere. O resultado do leilão da 13ª Rodada mostra claramente que não conseguimos garantir mínima atratividade, e que significativos ajustes precisam ser implementados com urgência.

 

M.O. - As regras referentes à política de conteúdo local são alvo de pesadas reclamações por parte das operadoras. Como a ABESPetro se posiciona quanto a essa questão?

P.C.M. - Não há dúvidas, de que uma forte política de conteúdo local é fundamental para o desenvolvimento da indústria local. Não é diferente na maioria dos países. Precisamos sim implementar alguns ajustes para melhoria da regra, seja no sentido de termos exigências gradativas e compatíveis com a realidade de mercado, seja na criação de mecanismos de incentivo e não de repressão. Uma das nossas propostas é que seja criado o crédito de Conteúdo Local, para empresas que comprem bens e serviços no Brasil, mesmo que para aplicação em projetos no exterior. Entendemos que esta iniciativa ajude a fomentar a exportação de produtos e serviços, ajudando a dar escala, viabilizando inclusive aumento da nossa competitividade. Outra ideia seria a de obrigatoriedade das empresas que não atingissem o conteúdo local contratual, em investir no desenvolvimento da cadeia de suprimentos, ao invés de pagar uma simples multa, propiciando com isso que o conteúdo local ofertado pudesse ser cada vez maior. A multa passaria a ser o último recurso.

 

M.O. - A falta de um calendário específico de leilões da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) também é entendida como um ponto crítico para o segmento de O&G no Brasil. Na sua visão, o que pode ser feito para melhorar esse quadro?

P.C.M. - Infelizmente, todos vivenciamos os impactos causados à indústria pelo hiato de rodadas licitatórias, entre 2008 e 2013. Para que a indústria possa programar seus investimentos, há necessidade de termos uma visibilidade mínima do que virá pela frente. Por isso, defendemos que a ANP divulgue, e mantenha atualizada, anualmente, uma agenda plurianual (mínimo de 3 anos) de rodadas. Também é interesse que a ANP continue seu trabalho de avaliação prévia e aumento de conhecimento das áreas a serem licitadas, pois isto pode garantir maior atratividade, representando um maior ágio na oferta, e consequentemente mais recursos para a União.

 

M.O. - O senhor acha da lei 2.351/10, que determina que somente a Petrobras pode operar em campos do pré-sal leiloados sob o modelo de partilha?

P.C.M. - Não tem sentido falarmos de leilões, quando uma determinada empresa já foi ?escolhida? como operadora única, com grande participação. Como pode uma única empresa liderar vários grupos diferentes, para que possamos contar com a participação de mais de um consórcio nos leilões do pré-sal, garantindo assim que haja real concorrência e maior arrecadação para a União? E se a Petrobras não tiver fôlego para fazer novos investimentos, como no momento? Os leilões terão que ser represados até que ela volte a ter possibilidade de participar? Infelizmente muitos são contaminados por um espirito nacionalista, que é ótimo, mas sem o devido conhe- cimento de causa. A abertura do setor de O&G no Brasil em 1998 contribuiu fortemente para que nossa produção chegasse ao patamar de 13% do nosso PIB. Houve um processo muito grande através de transferência de tecnologia e desenvolvimento conjunto, desde então. O petróleo ?ser nosso?, de nada adianta. Ele precisa ser explorado, produzido e comercializado, para gerar riqueza e bem social. Limitar o passo de sua exploração é impor uma redução na velocidade de nosso desenvolvimento, além de correr o risco do surgimento de novas alternativas energéticas mais competitivas, o que deverá ocorrer muito antes do petróleo terminar. O próprio óleo e gás de xisto é um exemplo.

Desta forma, cada dia perdido pode representar uma riqueza perdida. Nossa proposta é que o CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) tenha a possibilidade de recomendar áreas consideradas como estratégicas para a nação, independentes se no pré-sal ou não, e que estas sejam oferecidas à Petrobras prioritariamente, mas sem qualquer obrigatoriedade. Adicionalmente, o CNPE teria autonomia para definir áreas de concessão, mesmo dentro do polígono do pré-sal.

 

M.O. - O câmbio atual pode ajudar ou prejudicar as empresas prestadoras de serviços para o segmento de óleo e gás?

P.C.M. - O cambio pode nos ajudar muito na exportação de equipamentos e até serviços. Entretanto, precisamos ter mecanismos que incentivem estas exportações, como por exemplo, o de crédito para o conteúdo local. O custo em dólar equivalente de nossa mão de obra, também volta a ser mais competitivo internacionalmente, ajudando nos estudos de viabilidade econômica, durante comparação e disputando prioridade com outros projetos no exterior.

 

M.O. - Diante de todos esses problemas, é possível vislumbrar um futuro melhor para a indústria de petróleo e gás?

P.C.M. - Sim. Somos otimistas com relação ao nosso futuro de médio e longo prazo, pois fomos agraciados como uma geologia maravilhosa, com volume surpreendente de reservas provadas (em torno de 18,5 bilhões de boe (barris de óleo equivalente) podendo aumentar substancialmente nos próximos anos), que nos garante trabalho para as próximas décadas.

 

 
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