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Por Verônica Côrtes
Representantes da DNV (Det Norske Veritas) apresentaram na última quarta-feira (dia 14/12) um seminário sobre certificação de contêiner offshore em Macaé. O evento contou com a participação de diversos fabricantes de equipamentos ligados ao setor. Como se trata de algo novo no Brasil, a DNV decidiu esclarecer dúvidas sobre esse processo de certificação para que as empresas se preparem melhor e conheçam o que vai impactar no mercado. A norma DNV 271 se aplica a todas as unidades de transporte offshore que sejam destinadas a uso repetitivo offshore e que estejam limitadas a 25 toneladas. A certificação começa a valer a partir de janeiro de 2013.
De acordo com o gerente do escritório da DNV em Macaé, Fábio Vieira, essa certificação de equipamentos já é antiga, mas que não era adotada no Brasil. Recentemente, as próprias empresas que fazem o transporte de equipamentos decidiram optar pela certificação de contêiner no intuito de reduzir o número de acidentes. “Qualquer coisa que fuja um pouco dessa definição, vai se enquadrar num outro sistema de certificação. Hoje, focamos em contêineres, caçambas, cestas e skids. Diria que são 80% do que o mercado tem atualmente em transporte offshore, e que são responsáveis por 90% dos acidentes”, informou Vieira.
Vieira explicou que para fazer essa certificação pode-se utilizar a IMO 860, guia da Organização Marítima Internacional. A IMO consiste basicamente duas normas, que são a DNV 271 e a EuroNorma 12079. “Reunimos as empresas aqui para ver a opinião do mercado em relação à fabricação, projetos e, o que vai mudar para todo mundo, seja em termos de custo, de prazo ou de equipamentos em si”, destacou.
Segundo Fábio Vieira, o processo de certificação é dividido em três etapas. A primeira é a parte de aprovação de projetos, em que a DNV verifica através de cálculos estruturais, se o equipamento com aquela configuração vai aguentar a carga para qual foi projetado. Depois disso, passa para o processo de fabricação, quando há um acompanhamento de diversos pontos da fabricação do equipamento, visando garantir o mínimo de cumprimento de requisitos. “Estando a fabricação completa em conformidade com os itens da norma DNV 271, nós passamos para a parte de testes do equipamento, porque a norma pede que determinados testes sejam realizados, alguns obrigatoriamente e outros por amostragem. Isso é uma garantia de que além de ter verificado o cálculo e ter acompanhado a fabricação, é a prova final de que o equipamento está apto para o uso offshore”, ressaltou o gerente.
Vieira lembrou ainda que, uma vez certificado o equipamento pela DNV, é necessário que de tempo em tempo, o fabricante faça uma inspeção periódica no equipamento, de forma a garantir que ele continue com as mesmas características iniciais. Segundo o gerente, essa peridiocidade e o escopo da inspeção são definidos em regra, são mais brandos do que o mercado está pedindo hoje, justamente porque, a parte de fabricação é mais rígida do que mercado está fazendo atualmente. Então o foco da regra é feito em análise de risco, de forma que as empresas se voltem para as áreas mais críticas, que são a fabricação e os testes. Assim, se gasta menos nas áreas de inspeção periódica e tem a manutenção do equipamento da maneira correta.
ADAPTAÇÃO DO MERCADO
Ainda de acordo com o gerente da DNV em Macaé, Fábio Vieira, no mercado o conjunto de fabricantes não sabe dizer ao certo, quantas unidades existem em operação. Segundo Vieira, a DNV não consegue saber quantas dessas unidades conseguem se adaptar a esse novo padrão do mercado, que são as unidades certificadas. Sabe-se que algumas delas terão que ser completamente desmontadas ou destinadas a qualquer outro tipo de uso que não offshore, pois não atendem ao padrão mínimo da regra. A dificuldade do controle está no número de proprietários de equipamentos e número de unidades disponíveis em terra para se fazer esse levantamento e inspeção.
Vieira diz que o mercado se concentra muito em Macaé por ser o maior polo offshore do Brasil, mas que provavelmente o mesmo problema que está encontrando aqui, será encontrado em outros mercados que estão crescendo, como Santos, Vitória e o Nordeste do Brasil. Ele destaca que a certificação não é obrigatória por lei. O que está acontecendo é que as principais empresas de petróleo, operadoras e armadores, estão por conta própria, optando por esse regime de certificação com o objetivo de reduzir acidentes, lembrado que a Petrobras, por exemplo, já definiu que vai trabalhar dessa forma a partir de janeiro de 2013, tempo de um ano para o mercado se adaptar.
“Essa mudança de mercado, independente da onde vem, só traz segurança. Obviamente que ela implica em custos, mas não há como quantificar ou precificar os gastos que economizaria e transtornos, com esses gastos que a empresa terá a mais para certificar os contêineres. A mudança de mercado está na linha certa, de uma operação mais segura e o que a DNV espera é poder ajudar o mercado a ter uma condição mais segura e propensa no setor offshore”, concluiu.
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