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Matérias / Política e Economia
 
Ações da Petrobras disparam com mudança no comando
Mercado avalia positivamente nome de Graça Foster para presidência da empresa
25/01/2012

    O mercado reagiu bem à troca de comando da Petrobras, oficializada nesta segunda-feira (dia 23/01), e as ações preferenciais e ordinárias da empresa tiveram as maiores altas da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), com valorização de 3,75% e 3,60%, respectivamente, nesta segunda-feira. O presidente do Conselho de Administração da empresa, ministro Guido Mantega, vai indicar a atual diretora de gás e Energia da Empresa, Graça Foster, para o cargo de presidente da companhia. A empresa divulgou nota oficial por volta de 12h de segunda-feira sobre a mudança de comando, após a substituição do atual presidente José Sergio Gabrielli ter sido noticiada pela imprensa.

    - A indicação de Graça Foster era esperada pelo mercado, já que sempre que se falava na troca de comando da empresa o nome da diretora de gás e energia era citado. É uma pessoa com grande experiência técnica, tem conhecimento da empresa e não havia nome melhor para substituir Gabrielli. Será uma gestão muito técnica - avalia Igor Maresti, analista da BES Securities, corretora de valores do BES Investimento do Brasil.

    Para o advogado Claudio Araújo Pinho, especialista em Petróleo e Gás, a indicação de Graça Foster não gerou expectativa para o mercado. Ao contrário, o fato da nova presidente da empresa estar em sintonia com os projetos que Gabrielli vinha tocando é uma sinalização positiva.

   - Além disso, a gestão de Graça Foster será muito mais técnica do que política. Não vejo, por exemplo, o risco de Graça Foster sair do cargo a qualquer momento para se candidatar a uma cargo político - diz o advogado.

    É claro que, como em qualquer troca de comando de empresa, mudará o estilo do novo presidente.

    - A gestão é individual de cada presidente, portanto a agenda que estava sendo tocada no dia-a-dia deve sofrer ajustes. Mas isso não é negativo. Fala-se que ela tem um jeito ‘duro’, mas hoje em qualquer empresa a cobrança por resultados existe. Nesse aspecto, isso é até positivo. Um estilo mais ‘duro’ pode tornar a Petrobras ainda mais competitiva no mercado - analisa o advogado.

    Para a Corretora Coinvalores, de São paulo, Graça Foster deve dar continuidade aos projetos de investimento da empresa e não se espera uma ‘guinada fora da curva’ com a nova presidente. A corretora mantém a recomendação de compra para os papéis da empresa este ano e está revisando o preço alvo. No ano passado, as ações preferencias da empresa caíram 18,3%. Este ano, a valorização já chega quase a 17%.

    - Nossa avaliação é que as ações da empresa terão um desempenho superior ao ano passado - avalia um analista da Coinvalores.

    A troca de comando na Petrobras foi oficializada com uma nota oficial:

    “A Companhia informa que o Conselho de Administração é o órgão responsável pela eleição de seu presidente. O Presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Sr. Guido Mantega, já manifestou que vai encaminhar como proposta a ser apreciada na próxima reunião do mesmo, a se realizar dia 9 de fevereiro próximo, a indicação da atual Diretora de Gás e Energia, Maria das Graças Silva Foster, para presidir a Petrobras. Uma vez o assunto em questão seja aprovado pelo Conselho, a Companhia dará ampla divulgação do fato”, diz a nota divulgada pela Petrobras.

    O perfil técnico de Graça Foster, destacado pelo mercado, vai bem ao gosto da presidente Dilma Rousseff, de quem é amiga. Engenheira química com pós-graduação em engenharia nuclear pela UFRJ, ela é considerada competente, leal a seus superiores, exigente e às vezes pouco afável nas negociações — o que faz com que muitos a vejam como uma pessoa dura. Funcionária de carreira, comandou seu programa de biodiesel da estatal.

    Gabrielli, que está há quase sete anos à frente da companhia petrolífera, deve assumir um cargo no governo Jaques Wagner e, depois, disputar as eleições em 2014 para o governo da Bahia ou para o Senado. A saída do executivo era alvo de especulações desde o ano passado, por suas aspirações políticas.

    - A avaliação da gestão Gabrielli é muito positiva. A empresa foi testada e respondeu positivamente num regime de competição, em que o monopólio da exploração do petróleo foi quebrado no país. Nos últimos cinco anos, a empresa consolidou algumas posições importantes. A Petrobras America, por exemplo, explora petróleo até no Golfo do México. Também há posições importantes na África, em países como Moçambique e em Angola - avalia o advogado Claudio Araújo.

    - Gabrielli liderou grandes transformações da empresa. A descoberta do pré-sal, por exemplo, aconteceu sob sua gestão - diz o analista Igor Maresti.

Fonte: O Globo

 

 



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